Definição do blog e arranjos florais

A pouco tempo atrás, conversando com algumas pessoas, contei que tinha um blog. Foi então que me perguntaram do que se tratava exatamente, se era de receitas, "gastronomia" ou "blog de comida". Sem titubear, respondi: é também. Sem desmerecer nenhum blog de cozinha, dos vários hoje que existem por aí, e muitos dos quais acompanho constantemente e adoro. Quando comecei, quase 4 anos atrás, a idéia era ser um diário de experimentos bem sucedidos na cozinha. Fazia pouco que minhas habilidades culinárias tinham se revelado e quis registrar tudo por aqui. Aos poucos foi evoluindo, mas sem uma definição exata de rótulo a colocar.

Gosto de pensar que esse blog é sobre a arte do nada, de reunir coisas numa mesma foto, de moldar uma estética atemporal para te fazer sentir saudades de casa. Gosto de reproduzir um estilo de vida, que hoje é na roça mineira, no meio de um parque na Serra da Mantiqueira, mas que já foi numa casa comunitária em São Paulo, com horta no quintal e passarinhos no jardim. Não importa muito o lugar, desde que tenha um cantinho com grama em que se possa andar descalço, com os pés na terra. Desde que tenha um lugar silencioso, que você consiga escutar seus próprios barulhos internos. 

Minha definição de estilo é de se retirar no silêncio, de conviver para aprender e de cozinhar para amar. É de ter tempo para olhar para o céu uma vez por dia, de sentar para comer o que se cozinhou, de fazer nada entre uma tarefa e outra. De não achar que sonhar está fora de moda e que um pouco de poesia é necessária, todos os dias dessa vida. Gosto de compartilhar algumas histórias da minha vida, que não têm muita enredo ou narrativa que valha, mas que te fazem recordar lembranças esquecidas. 

Quero que você navegue pelas receitas, por meio de várias delas, e no final decida não fazer nenhuma, porque bateu uma preguiça gostosa e você não quer desperdiçá-la. Ou que decida fazer um bolo, e substitua a maioria dos ingredientes, porque você não tinha vários na sua despensa; mas que se dedique horas arrumando a mesa, enquanto o bolo assa no forno e depois esfria na janela. 

Eu tenho duas referências boas para a definição deste blog. Por vários anos, meu seriado de comédia predileto era o Seinfeld, que por quase uma década fez piadas com maestria sobre o nada. Meu intento é conseguir transformar esse blog num capítulo dessa sitcom maluca, sem pé nem cabeça, mas que no fundo você sabe que faz mais sentido que qualquer outra estória coerente. Minha segunda referência é meu filme de romance preferido, desde a adolescência, Before Sunrise e sua trilogia completa, com seu romantismo incurável e diálogos intermináveis. Então minha meta também é de escrever linhas e linhas cheias de palavras, que você se esquecerá no seguinte parágrafo, mas que te roube um sorriso ou suspiro ao final de cada postagem, e você fique como Jesse ouvindo Celine cantando Waltz for a Night ao final de Before Sunset.

Esse blog é sobre o pôr-do-sol, sobre os períodos de transição, sobre os entremeios, as pausas e os vazios. É uma valsa sobre um romance só por uma noite.


"Se há algum tipo de magia neste mundo, deve estar no intento de entender alguém que compartilha algo. Eu sei, é quase impossível conseguir... mas quem se importa realmente?
A resposta deve estar nessa intenção."

- Celine, Before Sunrise, 1995. - 


Os arranjos florais são da entrega desta semana da Florinda.


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