Bolo de amêndoas perfumado com ganache de chocolate branco

Sempre tive dificuldades com acordar cedo. Se um dia o destino da humanidade depender de eu ter que ver o sol nascer, oremos. No topo da minha lista de invejas, estão pessoas matinais, que não apenas apreciam a manhã, despertam com bom humor, são produtivas ao pular da cama, com atividades que incluem exercícios físicos, muita transpiração e até raciocínio lógico.

Desde que vim morar aqui na Serra, não tenho acordado com as galinhas, mas há um prazer latente em levantar mais cedo, caminhar descalça pela grama úmida do orvalho fresco; de sentir o chão de pedras morno do sol ainda tímido da manhã. É uma vontade renovada todos os dias, o de tentar despertar cada dia um pouquinho antes e de ter alguns minutos a mais para testemunhar a movimentação soberana do sol. 

Os fins de tarde também têm algo de especial, e eu pretendo deixar esses momentos reservados eternamente, para que nenhum outro compromisso possa me fazer perder a graça de não se fazer nada durante o entardecer. No máximo, passar um café, para ficar com a xícara quente entre as mãos, como se abraçasse o mundo entre meus dedos.

Há algo na transição do dia para noite, ou da noite para o dia, que os torna sagrados, como se em algum lugar o feitiço de Áquila não tivesse sido quebrado. Há uma prece implícita nesses momentos, há disciplina no caos da natureza, e os grilos parecem saber, pois sua sinfonia se inicia todos os dias no mesmo horário, assim como os pássaros que começam e terminam seu dia também durante essa transição, sem nunca se cansar. Luzes difusas, céu de Monet, sombras que se movimentam organicamente pela casa, nuvens que riscam o céu de baunilha. 

A verdade é que cada dia eu quero mais, eu me alimento da poesia do verde que inunda meus olhos, eu respiro o som violento do rio que corre ao lado de casa. Eu me curo todos os dias um pouco da saudade, que eu nem sabia que sentia tanto, de me sentar no chão, na beira da entrada de casa, sentindo o ar gelado da Serra cobrir meu rosto, e de reverenciar aquilo que não começou e nem deve terminar com a gente.

Não é que eu me sinta inspirada, isso é irrelevante ao lado de tanta magnificência. Eu me sinto completamente tomada por esse lugar e eu pretendo me lembrar todos os dias disso, se é que algum dia eu precise dessa lembrança. Uma tarde dessas, vasculhei a geladeira e peguei o frasco de geléia caseira de morangos que estava lá. Triturei amêndoas. Selecionei outros ingredientes, elegidos pelo seu aroma, textura, ou cor. Derreti o melhor chocolate branco que tinha em casa e terminei o dia com a sofisticação necessária para fazer jus ao espetáculo despretensioso que acontece diariamente aqui no meio da Serra da Mantiqueira.

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Bolo de amêndoas perfumado com ganache de chocolate branco

para o bolo

  • 01 xícara de amêndoas trituradas
  • 02 xícaras de farinha
  • 3/4 de xícara de açúcar demerara
  • 02 colheres de chá de fermento
  • 03 ovos
  • 01 xícara de suco de laranja
  • 125g de manteiga com sal amolecida
  • 02 colheres de chá de canela em pó
  • 01 colher de sopa de extrato de baunilha
  • raspas de 01 laranja

para o recheio

  • 200g de geléia de morangos ou frutas vermelhas
  • 100 ml de creme de leite

para a cobertura

  • 200g de chocolate branco
  • 100 ml de creme de leite

Modo de Preparo

Misture os ingredientes secos: farinhas, açúcar, fermento, canela e raspas de laranja. Em outra vasilha, misture a manteiga, os ovos batidos, o extrato de baunilha e o suco morno. Adicione aos poucos os ingredientes secos à mistura, e mescle até a massa ficar homogênea. Divida em duas assadeiras redondas de aproximadamente 18cmd e diâmetro untadas com manteiga e farinha. Leve ao forno pré-aquecido a 180 C graus, e asse por 45 minutos ou até que a massa esteja cozida. Deixe esfriar e desenforme-os frios.

Para o recheio, misture a geléia com o creme. Espalhe sobre uma das massas quando já fria e monte o bolo.

Para o ganache, derreta o chocolate branco e adicione o creme de leite. Deixe esfriar, até ficar consistente. Despeje sobre o bolo.