Mini Abóboras recheadas com Couve, Nozes e Parmesão

Aquilo que faz o seu coração vibrar. O que chama pela sua alma todos os dias, quando você coloca sua cabeça no travesseiro, antes de dormir, nas tuas orações? O que você faria se não tivesse preocupações diárias e mundanas? De tempos em tempos, essas perguntas me trazem um misto de entusiasmo e frio na espinha. Dá medo de olhar diretamente e descobrir que não tenho nenhuma das respostas que eu deveria ter. Pavor de pensar que talvez eu nunca as responda com certeza. 

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Não fomos treinados para escutar o coração. "Aprender a ouvir nossa intuição" ou "ir atrás dos nossos sonhos" são jargões piegas e coisa de lunático. E a vida é aquilo que a gente vive todos os dias, da rotina, dos problemas, da matéria e do concreto. Pensar nessas questões é perda de tempo, não vale a pena e, afinal, você nunca chegará numa resposta que valha mesmo. Essa resignação chega desde cedo e se instala por dentro. A gente aprende a viver dessa maneira, conviver com o nunca saber de verdade. Mas dessa inquietação eu vivo, há algum tempo, buscando linha para tecer. É algo que transcende a materialidade do explicável; que transborda o visto e palpável. Uma jornada sem trilha e sem mapa, às vezes, sem destino.

Com o tempo, posso dizer, porém, que encontrei algumas coisas que são capazes de aquietar minha mente, e me tiram da dúvida, dessa que não tem começo e nem termina. Uma delas, e talvez a primeira e primordial, é agradecer. Algo simples, mas capaz de movimentar os lodos mais densos. O sentimento de gratidão, quando nasce genuíno e expande inocente, pode curar as mágoas mais profundas, transformar perspectivas, colocar por outro ângulo, o que era antes inflexível. Eu achava que o perdão era o sentimento que antecipava a gratidão, e que sem o primeiro não era possível passar para segundo. Até que aprendi que a ordem é contrária, que às vezes, o perdão nunca vem, a gente pode se cansar de tentar abrir mão, e morrer sem conseguir. A gratidão é capaz de colocar um pequeno sorriso em tudo, cobrir como uma tela fina de alegria - como uma capa mágica que transforma em invisível - sobre as memórias mais tristes e rancorosas da vida, e sobre os arrependimentos mais difíceis de se lidar. Ela é capaz de fazer florir um lótus.

A segunda delas, das coisas que aquietam minha mente e me ajudam a estar nesse mundo, mais calma e mais lúcida, é a organização. Eu não sou uma pessoa disciplinada, nem ordenada. Gostaria de ser e isso sempre foi um grande desafio para mim. Mas eu tenho aprendido que organizar minhas coisas, minha casa, minhas finanças, minhas planilhas, minha agenda, meus arquivos, me ajudam a aclarar idéias. Organizar o externo, me ajuda ordenar e construir o chão e permite que minha criatividade possa fluir (e não apenas viver no caos da sua natureza). Os sonhos ficam mais lúcidos, a vida mais limpa e o futuro parece mais fácil de se planejar. A ordem não é um fim em si, mas uma ferramenta amiga que ajuda a viver melhor.

A terceira, são as coisas desse blog: cozinhar, produzir, fotografar, editar, escrever. Quando produzo uma postagem, receita e cenário, eu tenho as respostas do primeiro parágrafo na minha frente. Ao menos, pelos momentos em que estou em atividade, não há dúvidas. Sinto meu coração preenchido e minha alma feliz. E o que tem acontecido de bacana, ao longo desses anos compartilhando receitas e histórias por aqui, é que aos poucos, tenho recebido retorno da comunidade em torno do blog, nas minhas postagens. Há um diálogo em curso. Recebo mensagens carinhosas de uma audiência tímida, amigável, e que entende minha linguagem. Então, eu te pergunto: o que faz o seu coração vibrar?


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. 
(...)

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

- Fernando Pessoa, Tabacaria.


Foram 12 dias seguidos, vivendo na casinha das montanhas. Foi o tempo mais longo que a gente conseguiu ficar lá até agora (que eu me recorde), e eu já me sinto oficialmente mudada. Rotina de dona de casa, limpar, cozinhar e arrumar. Todo dia é sempre igual, mas incrivelmente, é sempre diferente.


Mini abóboras, couve, almeirão.
Nozes, manteiga e parmesão.
Pimenta, sálvia e limão.

Com uma rima boba, eu apresento um prato simples, mas muito saboroso. Vegetariano e gracioso: pode ser servido de entrada num jantar bacana, ou numa refeição para quando não se tem muita fome. 

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Mini abóboras recheadas

  • 04 mini abóboras
  • 05 folhas médias de couve manteiga
  • 03 folhas de almeirão grandes
  • 01 dente de alho
  • 01 limão siciliano (raspas e suco)
  • 250g de queijo tipo parmesão ralado
  • 02 fatias de pão de forma torrados
  • punhado de nozes picadas
  • 08 colheres de chá de manteiga
  • folhas de sálvia
  • pimenta calabresa
  • sal, pimenta e azeite

Lave as abóboras e corte uma "tampa" com ajuda de uma faca pequena. Retire as sementes. Pincele com azeite e sal por fora e dentro. Coloque umas folhas de sálvia por dentro. Leve para assar em forno pré-aquecido, a 180C graus, por uns 15-20 minutos, até que as abóboras fiquem tenras (mas não muito!).

Corte a couve manteiga e o almeirão bem fininhos. Numa frigideira, em fogo médio algo, coloque azeite e refogue o alho. Junte as folhas de couve e almeirão, apenas até que murchem um pouco (uns 3 minutos). Apague o fogo. Junte as fatias de pão picadas, o queijo ralado, as nozes, as raspas e o suco de limão, sal, pimentas e folhas de sálvia. Misture tudo. 

Recheie as abóboras, apertando com uma colher para ficarem bem cheias. Complete com 2 colheres de chá de manteiga para cada abóbora e algumas folhas de sálvia. Feche as abóboras, e leve para assar em forno pré-aquecido e asse por mais uns 15-20 minutos, até que as abóboras estejam bem macias. Sirva quente ou mornas. 

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