Viver de fazer Sorvetes 2: helado de dulce de leche com nozes pecãs

Eu sempre me considerei uma pessoa coadjuvante. Daquelas que tinham amigas que eram cheerleaders e eram populares na escola. Sempre fui mão direita dos meus chefes, para dar todo suporte necessário ao trabalho deles. Acompanhei todos meus companheiros, dentro das suas próprias jornadas, pois a minha nunca esteve bem definida. As melhores amigas sempre estrelas, fortes e absolutamente bem sucedidas.

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Nunca me queixei, nem considerei isso menor, ou mesmo ruim; muito pelo contrário. Considero esse sentimento interno natural da minha essência, uma certa devoção àqueles que admiro. Como a Lua que brilha ao lado do Sol e muta de acordo com sua posição, mas sempre em referência a ele. Minha introspecção, que foi por muito tempo caracterizada como timidez, me fez querer ser boa no que faço, me fez querer cuidar e servir aqueles que me cercam, me fez querer ficar entre livros e poesia, me fez querer aprender com os melhores, mas sempre com a modéstia acima da glória.

Outro dia escrevi que, agora aos 35, sentia como se estivesse atravessando uma curva e deixando certas coisas para trás, e com o ângulo, se perderiam da minha vista. Certos papéis e formatos que deixaram calos de tanto hábito, agora não têm me servido mais, ou pelo menos, nem sempre. A vida, de alguma forma, tem requisitado que desse papel secundário, eu atuasse com mais paixão em meu próprio roteiro. 

Não me entenda mal, não é que agora eu me sinta uma supernova. Seria até ridículo pensar isso. Tá mais para uma vela no meio do breu, com uma luz tão fraca, que não se enxerga direito, deixando turva a visão. Minha essência continua a mesma, aquela que se deprime mais que expande, aquela que serve mais que demanda, que prefere o casulo ao vôo. Mas eu sinto como se pudesse ampliar meu escopo de atuação, trazer diferentes formas do mesmo papel, praticar algum solo e sentir faíscas dentro do peito, de vez enquando.

Esse blog e essa história dos sorvetes são uma pequena materialização desse sentimento. E eu confesso que não tenho idéia de como será a estrada depois da curva; dá um misto de medo com uma inquietação. E quando eu fecho uma receita dessas de sorvete de doce de leite argentino com noz pecã tostada, para a #lililovesicecream, qualquer dúvida passa e vira alegria e realização. O caminho é esse.

Fotos: Dona da Casa! blog