Quando o marido viaja... Troque o pneu furado sozinha!

Há alguns meses, escrevi sobre como é gostoso passar um tempo só, quando o marido viaja. Cultivar o sentimento de independência e aprender a cuidar desse movimento. No entanto, nem sempre são flores. Mesmo que a vontade seja a de apreciar o máximo a solitude, acontecem eventos à nossa volta, longe do nosso controle, que nos fazem querer correr debaixo das asas de alguém pois achamos que podemos nos desintegrar a qualquer momento…

Essa semana foi assim. O Gabriel viajou e eu desenhara minha agenda para aproveitar o máximo de mim mesma. Decidi ir sozinha para Minas, pela primeira vez, dirigindo. Arrumei todas as tralhas e meu destino era ficar por lá a semana.

Quase na cidade, no alto da serra, já escurecendo, o pneu do carro furou… Páro no primeiro posto que encontro e, uma borracharia 24 horas estava a 1km dali. Adailton e Ezequiel são os nomes dos mecânicos enviados pelo céu. Mas, ao trocar o pneu, 2o round. Os parafusos da roda, quebram. E não haviam peças semelhantes no local.

É preciso deixar o carro. Subir num táxi e ir para casa (a uns 5 km pelo mato). Vamos com o taxista Zé. Faltando a última ladeira, o carro do taxista não é capaz de subir. Após várias tentativas, a única solução é levar a bagagem nas mãos. E lá vamos nós, morro acima. Por sorte, Adailton havia me acompanhado até lá e nos dá uma força.

Já em casa, sã e salva, não tenho certeza ainda se foi azar ou sorte que me guiaram até então. Diante de todos os acontecimentos, certamente, poderia ter passado momentos piores. Olho para o calendário e descubro que é o primeiro dia do meu “inferno astral”. Olho para o céu, e agradeço pelo dia de hoje, pelos Adailtons, Ezequiéis e Zés que oram e vigiam pelos infortúnios alheios.

Afinal, no dia seguinte, acham-se as peças para a troca do pneu e da roda. Só para eu descobrir, que a intenet não funcionaria pela semana, e eu teria que retornar para São Paulo, pois eu precisaria muito dela para concluir meu trabalho. A primeira vontade que eu tenho é de chorar. Mas sobre o leite derramado, já diz o ditado, não se faz isso.

Nos próximos dias, uma crise de estômago e dor de cabeça me deixam de molho. Essa também não é a primeira vez que acontece isso quando estou só. Um sentimento de desamparo ronda o pé da cama. Conto tudo isso ao telefone ao meu amado, e damos risadas juntos. Crescer e virar adulto, como diz ele, dá trabalho e não te dá aviso prévio.

Mas afinal, tudo isso, faz parte da vida. Sem a ótica do azar ou sorte, tudo vira aprendizado e uma forma de se fortalecer. Aquilo que te derruba, também te ensina que és capaz de levantar. Pessoalmente, os pequenos desafios diários, depois de tudo isso, ganharam outra forma. Apesar de ver que sou capaz de enfrentá-los só, sou ainda mais grata por ter alguém ao meu lado que me auxilia e me protege.

E você? Como lida com os problemas do dia-a-dia?